terça-feira, 20 de setembro de 2016

Segundo capítulo

Não sei se a culpa é do Verão que teima em tardar, ou nossa, dois irresponsáveis e loucos, na busca da intimidade, que é lenha para o inverno que está a chegar.

Não sei o que pensar de mais um fim-de-semana passado ao teu lado.

Não sei o que fazer depois de te ter outra vez junto de mim.

A premissa foi a mesma e desta vez seguimos a ideia inicial. Encontrarmos-nos em Ourense para um fim-de-semana numa vila pitoresca.

Quando falamos de nos encontrarmos outra vez eu achei que desta vez as coisas não iriam ser como da outra. Que agora não iria correr tudo tão bem. Que agora iam aparecer intrigas ou defeitos... Além disso, achei também que já tinha passado muito tempo desde que tínhamos estado juntos. Apercebi-me que fui rumo ao Norte com o coração mais leve...

Tive tempo para pensar, a viagem até ti foram 4 horas só, e nos entretantos reflecti... Reflecti muito. Cheguei até a pensar se queira mesmo o que estava a fazer... Durante a viagem ouvi música, cantei, olhei a paisagem, delirei, bocejei, fotografei, falei, mas a ânsia de te encontrar nunca me largou. "Ourense é longe como tudo" dei por mim a pensar vezes sem fim. Acreditei que não sabia o que estava a fazer, que seguia rumo ao norte porque me teria comprometido com isso. Fiquei seriamente na dúvida sobre se estaria a fazer aquilo que realmente queria e no entanto segui o meu caminho. Vi o pôr-do-sol do alto das montanhas, atrás das imponentes torres éolicas, que giram lá no alto, tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas... Vi o anoitecer, atravessei a fronteira e finalmente cheguei ao nosso hotel.

Surpresa das surpresas, foi exactamente o hotel onde tinha ficado da única vez que tinha visitado Ourense. Assim que entrei no quarto e te pus os olhos em cima todos os pensamentos da viagem se dissiparam. Assim, instantaneamente, deixei de ter dúvidas. Tu estavas ali, à minha espera, mais lindo que nunca, só para mim. E eu aqui estava, do lado de cá da fronteira, cansado mas feliz, com o coração aos pulos beijei-te e a minha vontade era ficar ali agarrado a ti.

Daqui em diante tudo foi quase perfeito: desde as termas ao luar, a lua cheia, a água quente, as carícias debaixo de água, amor nos lençóis, dormir agarrado a ti, despertar durante a noite e beijar-te, amar-te de manhã, tomar banho contigo, passear de carro com a mão pousada na tua perna, beijar-te num miradouro, saltar para o cima de ti e agarrar-me como uma lapa, admirar o belo mosteiro de Santo Estevo, almoçar num restaurante pitoresco, visitar as termas durante o dia, passear por Ourense à noite, ver-te comer tortilla, beber um gin num tragaluz, percorrer as ruas empedradas da uma cidadezinha mais pequena ainda que ourense, caminhar junto ao rio Arnoia, fazer amor contigo, sentir-me teu, entregar-me totalmente...

Perceber que estás feliz, o teu sorriso, a tua mão a tocar a minha, os dedos a entrelaçarem-se, as palmas a chegar uma até à outra e a força com que me seguraste antes de me dares mais um beijo.

Tudo quase perfeito. Não fosse a realidade...

Sem falar no futuro regressei. E agora aqui estou. Sem saber como fui permitir que me fosse apaixonar por ti...

Sem saber se haverá um terceiro capítulo...

Sem saber como: estou consciente, não esqueci a realidade... Mas parte de mim quer sonhar e voar...

Se és um amor de verão, pois então que o verão fique, pois não te quero esquecer...


#allariz #arnoia #ourense #galicia #españa #romantic #romanticmood #insanity #insane #crazy #louco #weekend #love ?!

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Errata

Ok... eu sei... quando eu escrevi "o ser humano" estava a referir-me ao ser "João"...

#insanaty

Tudo não passou de uma grande loucura.

                                                   #insanaty
           
                                                                                      #insane

                                #irracional

                                                                    #crazy

Aos poucos vou caindo em mim... E como disse antes, vou arrumando o que se passou no lugar onde se guardam as boas memórias, naquele espaço especial que criei para ti, que se vai tornando silencioso e que para sempre ficará associado a um momento de paz no meio da tormenta...

A ilusão deixa de o ser. A realidade, dura e crua, chega com o frio que anuncia o fim do verão.

Não deixo de me espantar de como o ser humano é cego, surdo e mudo, perante a saudade, a tesão, a curiosidade, a paixão... Sei bem que daqui por umas semanas tu não serás mais que uma lembrança, que não me provocarás um aperto no peito e, continuando com os cliches, que já não sentirei as asas das borboletas a coçarem-me o estômago, provocando aquelas cocegas que me arrepiam inteiro, tal e qual como tu fizeste, com os teus beijos provocadores... E no entanto, consciente disto, não deixo de me sentir triste e frustrado com o término do "e se"... A realidade, essa grande parede que impõe entre nós, é uma autoestrada de quase 400km, são "as demais situações" que fazem com que "não dá para mais"...

Eu conheço bem a realidade. Já escrevi sobre a realidade. A realidade é que até já fiz um teatro sobre a realidade. A realidade é que já a conhecia antes de te conhecer. Já sabia exactamente como seria e até era um defensor dela. Foi apoiado na realidade que menosprezei o fim-de-semana. A realidade é que era pouco provável que em dois dias eu te fosse conquistar. A realidade é que era igualmente improvável que nesses mesmos dois dias tu me fosses conquistar. A realidade é que nem sei se o fizeste. Mas a realidade é que agora custa a lidar com a dúvida...

Terás sido tu um "amor de verão"?! a verdade é que não me recordo de os ter, não sei a que se assemelham, como se detectam e muito menos, como se lida com eles...?!

Sei que mexeste comigo.

Sei que continuo louco.

Mas sei também que a loucura está controlada.




terça-feira, 6 de setembro de 2016

Resultado 001

Posta a proposta, aceite o rascunho, passámos à execução.

Trocamos o país.

Trocamos o destino: de cidade interior pitoresca, passamos para uma vila junto ao mar.

Trocamos o alojamento: de quarto rústico por uma casinha pré-fabricada num parque de campismo.

Trocamos os jantares: substituímos a luz das velas por uma conversa debaixo de um céu estrelado.

Trocamos as tardes: a água tépida das termas, pelo mar revolto do Atlântico.

Trocamos a banda sonora pelo silêncio... 

De repente, ao teu lado, estou confortável no silêncio. Estou em paz, ouço as ondas rebentar, sinto o frio húmido e chego-me a ti. Encostas a cabeça ao meu peito e deixo-te adormecer. Há duas horas não te conhecia e agora trazes-me conforto e serenidade. Procuro uma estrela cadente enquanto te sinto a relaxar, cada vez mais entregue a mim. A estranheza passou mas o céu continua a distrair-me. Não me recordo de estar debaixo de tantas estrelas. Parece que não consigo acreditar no que estou a ver. No que estou a sentir. 

A realidade é que passei os últimos dias a evitar pensar em ti. A fugir da realidade e a deixar-me ir. Como é que é possível que no meio da minha loucura tenha encontrado alguém tão louco como eu?! A dúvida percorre-me. Desconfiado que sou, imaginei mil defeitos. Não era possível. Não podias ser normal.

Passaram-se os dias e a aventura começou a ganhar forma. Escolhemos o destino, marcámos o alojamento e decidimos quando nos iríamos finalmente encontrar.

Eu sabia que iria, fui eu quem marcou o nosso abrigo, quanto mais não fosse pelo prejuízo monetário, estava implícito que eu compareceria ao nosso encontro. Eu sabia também que iria um dia antes de ti. Ia ter mais uma noite, uma noite sozinho, para perceber exactamente o que estava a fazer, talvez para entrar no "espírito de loucura"... Eu tinha esta certeza: eu vou. Tudo o resto era para mim incerto.

Deixei Coimbra depois de muito engonhar. Fiz as malas lentamente, tomei banho sem pressas, aparei a barba ao detalhe. Não que achasse que isso fosse importar, mas de alguma forma estava a ganhar forças para partir. Inventei algumas desculpas para quem foi necessário e lá fui...

Os que sabiam exactamente ao que ia, parece-me a mim, estavam tão incrédulos quanto eu. Gabaram-me a coragem. Gabaram-me a sorte. Gabaram-me a loucura...

Fui... "Ansioso como uma criança que vai numa viagem de estudo"...

Cheguei, acomodei-me e comecei imediatamente a gostar de tudo. O parque onde ficámos está entalado entre rio e mar, no meio de um pinhal denso. A paisagem é de cortar a respiração. A praia com o forte da Ínsua plantado numa ilha em frente e o monte de Santa Tecla, logo ali ao lado, no teu país, do lado de lá do Minho.

Fui brindado com um pôr-do-sol magnífico e ao jantar tu informas-me que afinal vens ainda hoje. Daí a duas horas já estarias ao meu lado. Compraste o vinho (que não te paguei...) e lá te esperei...

...

O nervoso miudinho deixa de o ser... Quando finalmente chegaste, quando finalmente te vi, quando finalmente chegou o fim da espera... Ali estavas tu. À porta do parque, com dois braços e duas pernas, dois olhos e dois ouvidos, cinco dedos em cada mão, cinco dedos em cada pé... malas nas mãos, à minha espera. Normal.

Dirigimos-nos para a praia, conversámos, bebemos vinho, conversámos mais um pouco, bebemos mais vinho... És normal. Mais do que isso: és encantador. A tua pronúncia carregada, o teu olhar sereno, o cabelo a cair-te na face… Beijaste-me… Beijamos-nos e abraçamos-nos.

O frio estava a tornar-se insuportável e o cansaço já se apoderava de ambos.

Fomos para casa e dormimos abraçados.

Na manhã seguinte beijámos-nos outra vez e envolvemos-nos perdidamente. Toda a cabana ressoava calor, do chão ao tecto…

  Neste preciso momento questiono-me: porque escrevo isto?! Vou-te mostrar? Quero-te mostrar? Não sei as respostas para estas questões… Mas talvez queira apenas registar. Já tentei escrever ficção, mas é tão mais fácil escrever sobre o que me vai na alma.


  Já ontem tinha começado a escrever, mas estava “perro”, as palavras não saiam... Hoje sinto-me a discorrer...

Tomámos o pequeno almoço na praça, a intimidade cresce, a distância encurta-se. Vamos para a praia. Em moledo dizes-me ao ouvido que não gostas de estar ali: "aqui não te posso agarrar e beijar-te"... A tarde passa, o conforto cresce e a paz instala-se. O silêncio entre as conversas, o sol a queimar, o mar a subir... Vamos mais cedo do que o planeado para casa, a tesão é grande demais. Envolvemos-nos cheios de areia... Suados, cúmplices, apaixonados... Dou por mim a olhar-te. A perceber o que está a acontecer. Olho-te nos olhos. Vou tomar banho de água fria...

Corremos para partilhar o pôr-do-sol. Ainda vislumbramos o fim... Ficou o céu... o vermelho, o rosa, o lilás, o roxo e o azul infinito... o rio a reflectir este enorme espectáculo e Espanha a completar o cenário. Fotos para mais tarde recordar. Jantámos e novamente adormeço ao teu colo, sem preocupações...

O último dia chegou. Desperto lentamente, sinto-te beijar-me o pescoço. Envolvemos-nos outra vez... Adormeço... Volto a acordar, volto a sentir-te. Volto a ter-te em mim... Atrasados, apressamos-nos a arrumar tudo e deixamos o nosso poiso... 

Depois de almoçarmos passámos a tarde inteira na praia, desta vez numa intimidade e cumplicidade à vista de todos. Sinto que me agarrei a tudo o que tinha para agarrar. Não queria olhar o relógio... Não queria projectar o futuro, os medos, os receios...

Tinha-te dito qual seria a receita para me apaixonar por ti. Tu, conscientemente ou não, superaste a receita mil vezes e agora esperas o quê!? que volte para casa e esqueça que tudo aconteceu?! que faça de conta que não mexeste comigo?! que não te procure mais?!

E tu?! o que sentes tu?! 

É a hora de ser racional... mas eu não sei ser racional... não sei fazer de conta que isto não mexeu comigo.

Sim, continuo sem te conhecer. Mas sim, tenho 10 vezes mais vontade o fazer.

Sim, eu sou louco. E a minha questão é: e tu? partilhas da minha loucura?




Proposta 001

"Passamos um fim‑de‑semana romântico, numa cidade pitoresca, num quarto rústico, com jantares à luz das velas, um bom copo de vinho, uma boa banda sonora... Passeios a pé pela cidade. Idas as termas, banhos em águas mornas, quentes e frias. Quem sabe ainda vemos um bom espectáculo. À noite vamos-nos enrolar e beijamos-nos loucamente e antes de dormirmos enroscados um no outro fazemos sexo louco...
Ingredientes para me apaixonar...
Sim, eu sou louco e sim, estou a exagerar e não tens que te preocupar..."