quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A mais breve história de amor

Foste embora.

Foste embora e juntos concordámos que o melhor seria terminarmos a relação que estávamos a começar. Viste-me claramente emocionado e extremamente triste por te deixar mas não havia nada que pudesse fazer para lutar contra a realidade. As lágrimas escorriam-me pela face, abracei-te com todas as forças e deixei-me estar assim, a guardar o teu cheiro e o teu toque na minha memória

Foste embora como chegaste. De mansinho, sem dizer grande coisa. Repentinamente dou por mim novamente sozinho. Quando te conheci acabei por me entregar. Eu disse-te, apaixonei-me por ti porque não contava que tal fosse possível. Ironicamente, foi a distância que me fez apaixonar por ti. 

Vivemos durante alguns dias, muito poucos, um clima de romance que já não conhecia. Mas, tão efémeros foram que num instante tudo terminou. Os problemas chegaram tão rápido quanto o "queres namorar comigo". E num terramoto, tudo pareceu terminar. Trocaram-se palavras feias. Quis-te ver longe! Atirei pratos, cheios de comida, ao chão. Tremi. Bebi uma garrafa de vinho. Fumei. Chorei. Gritei... Achei que nunca mais te veria...

Fizemos as pazes numa sexta de tarde. Eu entreguei-te a bola de ténis com que quis mostrar que me preocupava mais contigo do que tu comigo. Fizemos amor nesse dia. Foi a penúltima vez que o fizemos...

As coisas nunca mais foram as mesmas e a conversa do que estava para vir tornou-se presente entre nós. Com ela a distância cresceu e naquele que seria o último fim-de-semana contigo já não fizemos amor...

Fiquei aqui, sem ti, mas a pensar em ti. No que estavas a fazer. Se me irias dizer alguma coisa. Se te podia ligar. Quais eram as regras desta coisa nova em que estávamos. Fomos falando, sempre por mensagem. Não mais ouvi a tua voz. Ás vezes coisas sem sentido. Noutras, raras, palavras enamoradas. A saudade bilateral. Coimbra tem saudades de Faro e Faro tem saudades de Coimbra. Mas quando me convidas para te ir visitar, avisas logo que tal só poderá suceder-se daí a um mês. Com uma mão dás e com a outra tiras. É sempre assim... Eu sou o puto mimado que não tem objectivos na vida e que fica à tua mercê. 

Hoje foste confrontado com o facto de que a minha vida não depende da tua. Que para bem ou para mal, quando foste embora, deste-me a liberdade de fazer o que me apetece com a minha vida. Julgas-me, mais uma vez, mas não te reconheço esse direito.

Não me podes julgar. Não o permito. Não podes ficar fodido por seguir a minha vida quando não me pediste sequer para não a seguir...

Não acordámos nada e tu foste embora. Agora temos o que temos. Cada um no seu lado. Quiça, cada um a pensar no outro...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Não entendo...

Gostava de me conseguir lembrar do que se passou. Perceber porque não deu certo da primeira vez.

Há uma década atrás apaixonaste-te por mim.

Fui o teu primeiro amor e ao mesmo tempo a tua primeira desilusão. É estranho. Eu nunca acho que serei o amor de ninguém. E apesar de na altura tu o mostrares, para mim tudo não passava de uma mania, uma ideia que terias posto na cabeça, sem perceberes o sentido da mesma.

Tenho poucas lembranças desses tempos mas recordo-me de ir contigo à tua quinta. De ver os cavalos. De achar que queria ser teu amigo e que ia conseguir sê-lo sem que a "paixão" se pusesse no meio de uma amizade que estava a começar. Claramente estava enganado e novamente seguimos os nossos caminhos sem que eles se tocassem...

Achei que me detestavas e que não haveria nada que eu pudesse fazer para o mudar.

Dizes que fui a melhor desilusão amorosa que podias ter tido, que te tratei sempre com o maior respeito. Gosto de acreditar que sim. Fiz isso mesmo.

Há uma semana atrás reapareceste na minha vida...

Sem contar passámos o dia de namorados juntos e no dia seguinte partilhámos um jantar incrível. Abri-te a porta da minha vida, com receio, mas deixei-te entrar e foi tão bom. Falámos durante horas, percebemos que ambos estávamos mais maduros. A ti a idade fez-te especialmente bem. Estás mais interessante que nunca. Viveste uma década de loucura, de sonhos, de aventuras... Estás mais bonito também e o teu olhar encantou-me. 
Cozinhei para ti e lancei todo o meu charme. Estava decidido a conquistar-te outra vez. Tinha o coração acelerado e mordi ligeiramente o lábio, o sabor da sobremesa ainda estava nos meus lábios, quando nos beijamos pela primeira vez. 

...

Acordei nos teus braços. Agarrei-te. Senti-te.

...

Levantamos-nos. Ficamos mais umas horas na conversa e deixei-te novamente onde te tinha ido buscar.

Passado uma semana parece que foi tudo irreal... Não consigo entender o que se passou. Porque dizias uma coisa na sexta e no sábado outra. Porque desapareceste. Porque me deixaste fazer planos e depois pões-te fora de cena sem dizer nada... Não estou com esta conversa a querer cobrar nada que não seja entender... Gostava de perceber o que se passou. Só isso... 

Gostava de saber porque não deu certo da primeira vez...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Ode'ish aos noivos 2



Texto escrito em homenagem aos noivos.
Nesse dia fui irmão e cunhado. Mais um dia feliz. Nesse dia verti lágrimas e suor de alegria. Um dia muito feliz! 

Inês e Pedro,
Imagino que já se tivessem apercebido que algo deste género se fosse passar.
É : a leitura realizada pela Joana não foi um engano. Na verdade, e apesar de bem saber que não querem surpresas no vosso casamento, o dia de hoje é especial para todos os que aqui estão presentes e eu fiz questão de o assinalar.
Pedro, são já muitos os anos que passaram desde que nos conhecemos, na realidade, já fazes parte da nossa família e hoje essa pertença oficializa-se nesta cerimónia. 
Inês, és uma pessoa incrível. Obviamente que és a melhor irmã do mundo, mas muito mais que isso: és a melhor filha, a melhor neta, amiga, colega, namorada e, tenho a certeza, serás também a melhor esposa, mesmo que o "titulo" ainda te faça alguma comichão.
O vosso namoro é um exemplo de que no amor não há impossíveis. Vocês não são só de cidades diferentes, a vossa relação foi construída ao sabor do vento, e durante os últimos 13 anos foram forçados a lidar e a aprender a ultrapassar a distância. É certo que o mundo foi-se actualizando, e o que ontem era longe, hoje está um pouco mais perto. Mas o tempo que vivem separados um do outro demora sempre o mesmo tempo a passar. Não há como evitar isso, o que só mostra que o nível de confiança, esforço e dedicação que ambos devotaram um ao outro é notável.
O amor que vos une é uma fonte de inspiração, é forte, é lindo!  e hoje estamos todos unidos, convosco, para celebrar a vossa união.

Ode'ish aos noivos 1

Texto escrito em homenagem aos noivos. 
Nesse dia fui padrinho. Um dia feliz. 



"É sempre mais fácil escrever sobre aquilo que nos magoa... 
É sempre mais natural, sempre mais sentido...
Murros e bofetadas à parte, não existe um verdadeiro sentimento de tristeza entre nós...

Há algo de eterno em tudo o que nos une: 
Sempre nos conhecemos, 
Sempre fomos amigos, 
Sempre estivemos lá...

Em minha casa, em tua casa,
A brincar ou a ver televisão... 
Na conversa sobre o nada,
A discutir fervorosamente o futuro!
Nas férias ou sem ser nas férias... 
Enquanto esperávamos que o king terminasse...
Corremos, saltámos, gritámos, chorámos... 

Tudo... Fizemos tudo... Partilhámos tudo! 
Mesmo que à força... não foi uma mousse que nos separou!

Crescemos juntos... E hoje, dia do teu casamento, o teu dia mais feliz, 
Primos desde que nascemos, passamos também a ter um papel assinado!

Não quero com isto roubar o protagonismo da data! 
Espero que tu e o David sejam MUITO MUITO felizes!

Como sempre, Cá estaremos todos para acompanhar as novas histórias, 
Os novos acontecimentos, novamente, tudo...

David! sê bem vindo a esta família! 
Podemos não ter o mesmo sobrenome, mas todos nos amamos, cada um à sua maneira!

Beijo grande à noiva, a minha Prima Cristinita e um abraço ao Noivo, o meu Primo David"

Constatações

Nada resolve nada.

E ao invés de seguir
 com a minha vida
 deixo-me preso a um passado
 que não tem futuro... 

Apenas porque estou farto do presente?!